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TDAH em adultos: consulta com médico online por vídeo

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Acho que posso ter TDAH

Você se reconhece na distração, nos esquecimentos e nas tarefas que não terminam, mas nunca passou por uma avaliação. O médico ouve sua história e explica os próximos passos.

Já tenho diagnóstico de TDAH

Você já foi diagnosticado e quer conversar sobre como está hoje, sua rotina e seu tratamento. Se tiver, deixe à mão laudos e receitas anteriores. A conduta depende da avaliação do médico.

Isso parece com você?

Muitos adultos com TDAH passaram a vida ouvindo que eram desorganizados, preguiçosos ou distraídos. Veja se você se reconhece:

Sintomas mais comuns em adultos

  • Dificuldade de manter a atenção
  • Desorganização e esquecimentos
  • Impulsividade
  • Procrastinação de tarefas importantes
  • Inquietação
  • Dificuldade de terminar o que começa
  • Você lê a mesma página três vezes e não lembra do que leu.

  • Começa projetos com empolgação, mas termina poucos.

  • Perde chaves, prazos e compromissos, mesmo com alarmes e listas.

  • Deixa tarefas importantes para a última hora e depois corre contra o tempo.

  • Em reuniões ou aulas, sua cabeça vai para outro lugar sem você perceber.

  • Interrompe as pessoas ou fala antes de pensar, e se arrepende depois.

  • Sente que precisa de muito mais esforço que os outros para dar conta do básico.

Se você se identificou com várias dessas situações, uma avaliação médica pode ajudar a entender o porquê.

Quando ninguém explica, o custo aparece em tudo

Não é só distração. Com o tempo, isso pesa em várias áreas da vida.

Trabalho

Prazos estourados, retrabalho e a sensação de render menos do que você sabe que pode.

Estudos

Horas na frente do material com pouco resultado, e provas que não mostram o quanto você estudou.

Relacionamentos

Esquecimentos e distrações que parecem descaso, mesmo quando você se importa de verdade.

Autoestima

Anos ouvindo "é só se esforçar mais", até começar a acreditar que o problema é você.

Não é preguiça. Não é falta de força de vontade.

O TDAH é uma condição do neurodesenvolvimento reconhecida, que muitas vezes chega à vida adulta sem diagnóstico. Entender o que está acontecendo é o primeiro passo para encontrar o cuidado certo, e isso começa com uma conversa com um médico.

Cerca de 4 milhões

de adultos no Brasil convivem com TDAH que persiste desde a infância

Estimativa: prevalência de 2,6% de TDAH persistente em adultos (Song et al., 2021) aplicada aos 154,3 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais (IBGE, Censo 2022) [1][9].

O TDAH também faz parte da vida adulta.

Uma condição que pode acompanhar as pessoas ao longo da vida, mesmo quando nunca foi identificada.

Entenda as estimativas e seus limites no Brasil

2,6%dos adultos no mundo têm TDAH persistente desde a infância, segundo estimativa global.

Cada ponto representa 1 em 100 adultos: 2 pontos inteiros e 60% do terceiro ponto representam 2,6 em 100.

Fonte: Song et al., Journal of Global Health, 2021. Estimativa global padronizada para a população de 2020.

Uma condição. Diferentes manifestações.

Os sinais podem aparecer de maneiras diferentes. Conhecer sua história ajuda o médico a compreender o quadro.

Desatenção

Dificuldade para manter o foco, organizar tarefas ou terminar o que começou.

Hiperatividade e impulsividade

Inquietação, dificuldade de esperar ou de agir depois de pensar.

Apresentação combinada

Uma combinação de sinais de desatenção e de hiperatividade e impulsividade.

As manifestações variam de pessoa para pessoa. A avaliação considera a história clínica completa.

Como o TDAH aparece em adultos

Quando o TDAH passa despercebido.

Em meninas e mulheres, algumas manifestações podem ser menos evidentes. Estratégias para compensar dificuldades também podem dificultar o reconhecimento.

TDAH em mulheres: o que o guia explica

Não existe uma única forma de viver o TDAH.

Ouvir cada história faz parte de uma avaliação cuidadosa.

Fonte: Young et al., consenso de especialistas, BMC Psychiatry, 2020.

Duas formas de medir. Uma visão mais ampla.

Uma revisão global avaliou duas medidas diferentes em adultos. Elas não são grupos separados nem diagnósticos individuais.

TDAH persistente desde a infância

2,58%

TDAH sintomático na vida adulta, independentemente da confirmação de início na infância

6,76%

As categorias se sobrepõem; sintomas não equivalem a diagnóstico. Estimativas globais padronizadas para 2020.

Fonte: Song et al., Journal of Global Health, 2021.

MedidaValor
TDAH persistente desde a infância2,58%
TDAH sintomático na vida adulta, independentemente da confirmação de início na infância6,76%
Dr. João Brunhara, responsável técnico da Cuidei, sentado diante de uma estante
“Cada pessoa vive o TDAH de uma forma. Uma boa avaliação começa com escuta.”
Dr. João Brunhara · CRM-SP 161642Faculdade de Medicina da USP · Universidade de Harvard · Hospital Israelita Albert Einstein

O que acontece na sua consulta

  1. O médico lê suas respostas antes de entrar na chamada.

  2. Vocês conversam por vídeo sobre seus sintomas, sua história e sua rotina.

  3. Você sai com uma orientação clara sobre os próximos passos.

  4. Se houver indicação, o médico pode pedir exames, emitir receita ou encaminhar você a um especialista.

  5. Seus documentos ficam salvos na sua área do paciente.

A conduta é sempre definida pelo médico, de acordo com a sua avaliação.

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Dr. Leonardo Costa Soares, CRM-SP 267456

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Perguntas frequentes

Guia completo: TDAH em adultos

Escrito e revisado por , CRM-SP 161642 · Atualizado em

O TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) é uma condição do neurodesenvolvimento que começa na infância e continua na vida adulta em parte das pessoas: cerca de 4 milhões de adultos no Brasil, estimativa a partir da prevalência de 2,6% medida em meta-análise de 2021 [1][9]. O diagnóstico é clínico, feito pelo médico a partir dos sintomas e da história de vida. Na Cuidei, você conversa por vídeo com um médico em até 5 minutos, por R$ 79, e sai com orientação sobre os próximos passos.

O que é TDAH

O TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) é uma condição do neurodesenvolvimento marcada por um padrão persistente de desatenção, hiperatividade e impulsividade que atrapalha o dia a dia. Ele começa na infância e, em parte das pessoas, continua na vida adulta [6][20].

Na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (CID-11), o TDAH tem o código 6A05. A definição exige um padrão de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que dure pelo menos 6 meses, com impacto negativo direto nos estudos, no trabalho ou na vida social, e com sintomas presentes antes dos 12 anos [6]. Na CID-10, ainda usada em muitos documentos no Brasil, o código é F90.

O TDAH não é falta de inteligência, de caráter ou de esforço. Um consenso internacional que reuniu 80 pesquisadores de 27 países listou 208 conclusões baseadas em evidências sobre o transtorno, entre elas a de que ele é comum, tem forte influência genética e responde a tratamento [10].

Também não é um traço que todo mundo tem "um pouco". Distração e esquecimento acontecem com qualquer pessoa. O que define o TDAH é a combinação de sintomas frequentes, presentes desde cedo, em mais de um ambiente e com prejuízo real na vida [3][6].

Como o TDAH aparece em adultos

Em adultos, o TDAH costuma aparecer mais como dificuldade de manter a atenção, desorganização, esquecimentos, procrastinação e impulsividade do que como agitação física. A hiperatividade da infância muitas vezes vira uma inquietação interna, a sensação de estar sempre "ligado no 220" [3].

Estudos com crianças e adolescentes estimam que cerca de 5,3% deles têm TDAH no mundo [19]. Na vida adulta a frequência cai, porque parte das pessoas melhora com o amadurecimento do cérebro, mas uma parcela importante continua com sintomas [1].

O DSM-5-TR, o manual de diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatria, descreve três formas de apresentação do TDAH, conforme os sintomas que predominam nos últimos 6 meses [3]:

Apresentações do TDAH (DSM-5-TR)
ApresentaçãoO que predominaComo costuma aparecer em adultos
Predominantemente desatentaDesatençãoPerder o fio da leitura ou da reunião, esquecer compromissos, deixar tarefas pela metade, perder objetos.
Predominantemente hiperativa-impulsivaHiperatividade e impulsividadeInquietação, dificuldade de esperar a vez, interromper os outros, decisões tomadas por impulso.
CombinadaDesatenção e hiperatividade-impulsividadeMistura dos dois grupos de sintomas, em intensidade parecida.

Muitos adultos só recebem o diagnóstico depois dos 20, 30 ou 40 anos. Na infância, os sintomas foram atribuídos ao jeito de ser, à falta de interesse ou à educação, e o TDAH segue pouco reconhecido em adultos [13]. Mudanças como entrar na faculdade, assumir um cargo com mais responsabilidade ou ter filhos costumam deixar as dificuldades mais evidentes.

A apresentação pode mudar ao longo da vida. Um adulto diagnosticado na infância com a forma combinada pode, anos depois, ter mais sintomas de desatenção do que de hiperatividade [3].

Sinais comuns no dia a dia

  • Ler a mesma página várias vezes sem guardar o conteúdo.
  • Começar muitos projetos e terminar poucos.
  • Perder prazos, chaves, documentos e compromissos, mesmo com alarmes.
  • Deixar o importante para a última hora e trabalhar sob pressão.
  • Se distrair com facilidade em conversas, aulas e reuniões.
  • Falar ou agir antes de pensar, e se arrepender depois.
  • Sentir que precisa de muito mais esforço do que os outros para dar conta do básico.

Quantos adultos têm TDAH no Brasil

Cerca de 4 milhões de adultos no Brasil convivem com TDAH que persiste desde a infância. A estimativa aplica a prevalência mundial de 2,6% de TDAH persistente em adultos, medida em uma meta-análise de 2021 [1], aos 154,3 milhões de brasileiros com 18 anos ou mais contados no Censo 2022 [9].

A meta-análise reuniu 40 estudos de 30 países e separou dois números: 2,58% dos adultos têm TDAH persistente, com início na infância, e 6,76% têm sintomas de TDAH na vida adulta, independentemente de quando começaram. Em 2020, isso correspondia a cerca de 140 milhões e 366 milhões de adultos no mundo [1].

Os dados brasileiros vão na mesma direção. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do TDAH, publicado pelo Ministério da Saúde em 2022, estima a prevalência em adultos entre 2,5% e 3% [18]. Um estudo com 2.297 adultos de 19 a 60 anos no Rio de Janeiro encontrou 4,59% com triagem positiva no questionário ASRS [17].

Estimativas de TDAH em adultos
FonteQuem foi estudadoResultado
Meta-análise mundial (Song et al., 2021) [1]40 estudos, 30 países2,58% com TDAH persistente; 6,76% com sintomas
Ministério da Saúde, PCDT 2022 [18]Adultos (estimativa do protocolo)Entre 2,5% e 3%
Rio de Janeiro (Mattos et al., 2024) [17]2.297 adultos de 19 a 60 anos4,59% com triagem positiva (não é diagnóstico)

Por que os números variam? Porque cada estudo mede uma coisa: diagnóstico com início na infância, sintomas na vida adulta ou triagem por questionário. Uma triagem positiva indica que vale fazer uma avaliação, mas não fecha o diagnóstico [17].

Causas e fatores de risco

O TDAH não tem uma causa única. Na maioria dos casos ele resulta da soma de muitos fatores genéticos e ambientais, cada um com um efeito pequeno [10].

A genética tem o maior peso. Em média, 37 estudos com gêmeos estimam a herdabilidade do TDAH em 74%, o que significa que a maior parte das diferenças entre as pessoas nos sintomas é explicada por fatores herdados [11]. Por isso é comum que pais, irmãos ou filhos de quem tem TDAH também tenham o transtorno.

Herdabilidade alta não quer dizer destino. Ela mostra que o TDAH é uma condição biológica, e não resultado de preguiça, criação ou falta de força de vontade [10][11].

  • Histórico familiar de TDAH.
  • Combinação de muitos genes de efeito pequeno.
  • Fatores ambientais que somam risco ao longo do desenvolvimento [10].

TDAH em mulheres

Em mulheres, o TDAH costuma ser reconhecido mais tarde e com mais frequência passa despercebido. Isso acontece porque os sintomas tendem a ser mais discretos e voltados para dentro, com mais desatenção e menos agitação visível [12].

Um consenso de especialistas sobre meninas e mulheres com TDAH descreve que sintomas menos evidentes levam a menos encaminhamentos para avaliação, e que meninas com a forma desatenta são as que mais deixam de ser identificadas. Elas também tendem a começar o tratamento mais velhas [12].

Ansiedade e depressão aparecem com mais frequência em mulheres com TDAH [12]. Muitas chegam ao consultório por causa dessas queixas, e o TDAH por trás delas só é percebido depois. Se você se identifica com a desatenção desde a infância e já tratou ansiedade ou depressão sem melhora completa, vale conversar sobre isso com o médico.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico de TDAH é clínico: o médico avalia os sintomas atuais, a história desde a infância e o impacto na vida, e descarta outras causas. Não existe exame de sangue ou de imagem que confirme o TDAH [3][20].

Quando avaliado com critérios padronizados, o diagnóstico é confiável e válido [20]. Os principais critérios são os do DSM-5-TR e da CID-11 [3][6]:

  • Sintomas de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade frequentes, presentes há pelo menos 6 meses. Para quem tem 17 anos ou mais, o DSM-5-TR pede pelo menos 5 sintomas em um dos grupos [3].
  • Vários sintomas já presentes antes dos 12 anos [3][6].
  • Sintomas em mais de um ambiente, como casa, trabalho ou estudos [3].
  • Prejuízo real no trabalho, nos estudos ou nas relações [6].
  • Os sintomas não são melhor explicados por outra condição, como ansiedade, depressão ou uso de substâncias [3].

O questionário ASRS

O ASRS (Adult Self-Report Scale) é um questionário de triagem para TDAH em adultos desenvolvido com a Organização Mundial da Saúde. A versão completa tem 18 perguntas sobre a frequência dos sintomas, e a versão de triagem tem 6 [2]. Ele foi adaptado e validado para o português do Brasil [15].

No estudo original, a versão de 6 perguntas acertou a classificação em 97,9% dos casos, com sensibilidade de 68,7% e especificidade de 99,5% [2]. Na prática, isso quer dizer que um resultado positivo indica que vale fazer uma avaliação médica, mas o teste sozinho não fecha o diagnóstico.

Como se preparar para a avaliação

A história de vida é a parte mais importante da avaliação. Algumas informações ajudam o médico a entender o quadro com mais precisão:

  • Exemplos de como era sua atenção e seu comportamento na infância e na escola. Boletins e comentários de professores ajudam, se você tiver.
  • Situações concretas em que os sintomas atrapalham hoje, no trabalho, nos estudos, nas finanças ou em casa.
  • A visão de alguém próximo, como um familiar ou parceiro, sobre como você se comporta no dia a dia.
  • Laudos, exames e tratamentos anteriores, e a lista dos remédios que você usa hoje.
  • Como estão seu sono, seu humor e seu uso de álcool e outras substâncias.

Quem pode diagnosticar

A diretriz britânica NICE recomenda que o diagnóstico seja feito por psiquiatra ou outro profissional de saúde qualificado, com treinamento e experiência em TDAH [4]. No Brasil, psiquiatras e neurologistas costumam diagnosticar e acompanhar o TDAH em adultos. O clínico geral ou médico de família pode fazer a primeira avaliação, orientar e encaminhar ao especialista quando necessário.

Condições que se confundem ou aparecem junto

Ansiedade, depressão, transtorno bipolar, uso de substâncias e problemas de sono podem imitar o TDAH ou aparecer junto com ele. Por isso a avaliação médica olha a história completa, e não só a lista de sintomas [13].

Em adultos com TDAH, as condições associadas mais frequentes são os transtornos de humor e de ansiedade, o uso problemático de substâncias e os transtornos de personalidade. Como os sintomas se sobrepõem, o diagnóstico e o tratamento ficam mais difíceis, e o TDAH segue pouco reconhecido e pouco tratado em adultos [13]. Problemas de sono também são mais comuns em quem tem TDAH [10].

TDAH e condições parecidas
CondiçãoO que pode lembrar o TDAHO que ajuda a diferenciar
AnsiedadeDificuldade de concentração e inquietaçãoNa ansiedade, a desatenção vem da preocupação e acompanha as fases de ansiedade; no TDAH, existe desde a infância.
DepressãoFalta de foco, cansaço e desorganizaçãoNa depressão, a mudança é recente e vem com tristeza ou perda de interesse; no TDAH, o padrão é antigo e constante.
Transtorno bipolarImpulsividade, fala acelerada e agitaçãoNo transtorno bipolar, os sintomas vêm em episódios com começo e fim; no TDAH, são contínuos.
Distúrbios do sonoDesatenção, esquecimentos e irritabilidadeDormir mal piora a atenção em qualquer pessoa; o médico avalia se a desatenção existia antes do problema de sono.

Ter outra condição não exclui o TDAH, e muitas vezes as duas precisam de cuidado ao mesmo tempo. Uma boa avaliação define a ordem do tratamento [13].

Tratamento

O TDAH tem tratamento eficaz. A combinação de medicamentos, psicoterapia e estratégias de organização reduz os sintomas e o impacto no trabalho, nos estudos e nas relações; o plano é definido pelo médico para cada pessoa [4][20].

Medicamentos

Os medicamentos são eficazes para os sintomas centrais do TDAH e costumam ser bem tolerados [20]. Uma meta-análise com 133 estudos controlados, 51 deles em adultos, comparou as opções disponíveis e mostrou que vários medicamentos para TDAH funcionam melhor que placebo no tratamento de curto prazo em adultos [14].

Eles se dividem em duas classes: estimulantes e não estimulantes. Os estimulantes costumam ser mais eficazes, mas também têm mais risco de desvio e uso indevido, o que exige acompanhamento médico próximo [10]. A diretriz NICE recomenda oferecer medicamento ao adulto quando os sintomas continuam causando prejuízo importante mesmo depois de ajustes no ambiente e na rotina [4].

A escolha do medicamento, da dose e do acompanhamento depende da avaliação individual: história clínica, outras condições de saúde, outros tratamentos em uso e preferências do paciente.

O tratamento é acompanhado ao longo do tempo. Nas consultas de retorno, o médico avalia o efeito sobre os sintomas e sobre a rotina, os possíveis efeitos colaterais e a necessidade de ajustes. Mudar a dose ou interromper o uso sem orientação médica não é recomendado.

Psicoterapia

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a psicoterapia com mais evidência para adultos com TDAH. Em um estudo com 86 adultos que já usavam medicamento e ainda tinham sintomas, 12 sessões de TCC melhoraram os sintomas mais do que um programa de relaxamento, e o resultado se manteve após 12 meses [16].

A NICE recomenda, para adultos que precisam de tratamento não medicamentoso, uma intervenção psicológica estruturada focada no TDAH, que pode incluir TCC [4].

Estratégias de organização

  • Usar agenda e lembretes para tudo, não só para compromissos importantes.
  • Dividir tarefas grandes em etapas pequenas, com prazos para cada uma.
  • Reduzir distrações no ambiente de trabalho ou estudo.
  • Combinar rotinas fixas para dormir, acordar e fazer as tarefas do dia.
  • Pedir ajustes no trabalho ou na faculdade, como instruções por escrito.
Opções de tratamento do TDAH em adultos
OpçãoPara que serveO que dizem os estudos
Medicamentos (estimulantes e não estimulantes)Reduzir os sintomas centraisEficazes no curto prazo e em geral bem tolerados [14][20]; estimulantes são mais eficazes, com mais risco de uso indevido [10].
Terapia cognitivo-comportamentalDesenvolver habilidades de organização e lidar com o impacto emocionalMelhorou sintomas em adultos que já usavam medicamento, com efeito mantido em 12 meses [16].
Ajustes de ambiente e rotinaDiminuir o prejuízo no dia a diaPrimeiro passo recomendado pela diretriz NICE [4].

TDAH no trabalho e nos estudos

Sem tratamento, o TDAH aumenta o risco de desempenho escolar abaixo do potencial, desemprego, acidentes e pior qualidade de vida [10]. Com diagnóstico e cuidado, esse impacto diminui.

O consenso internacional sobre TDAH lista, entre os riscos associados ao transtorno, baixa qualidade de vida, uso de substâncias, acidentes, baixo rendimento nos estudos, desemprego e dificuldades nas relações sociais [10]. No estudo feito no Rio de Janeiro, adultos com triagem positiva para TDAH estavam desempregados com mais frequência e tinham mais sintomas de depressão, ansiedade e abuso de álcool [17].

No trabalho, o TDAH costuma aparecer como prazos perdidos, retrabalho, reuniões difíceis de acompanhar e a sensação de render menos do que se sabe que pode. Nos estudos, como horas diante do material com pouco resultado e provas que não mostram o quanto se estudou.

Pequenos ajustes ajudam muito: combinar entregas por escrito, usar blocos de tempo para tarefas que exigem foco, desligar notificações e revisar a agenda no início de cada dia.

Mitos e verdades

Mitos e verdades sobre TDAH
AfirmaçãoMito ou verdadePor quê
"TDAH é coisa de criança."MitoCerca de 2,6% dos adultos no mundo têm TDAH que persiste desde a infância [1].
"É falta de esforço ou de educação."MitoO TDAH tem forte base genética, com herdabilidade média de 74% [11].
"Todo mundo tem um pouco de TDAH."MitoDistração eventual é comum; o diagnóstico exige sintomas frequentes, desde a infância e com prejuízo real [10].
"Um teste online diz se tenho TDAH."MitoQuestionários como o ASRS servem para triagem; o diagnóstico é feito pelo médico [2].
"TDAH tem tratamento."VerdadeMedicamentos, psicoterapia e estratégias de organização reduzem os sintomas e o impacto na vida [10].
"O TDAH pode aparecer junto com ansiedade ou depressão."VerdadeTranstornos de humor e de ansiedade são as condições associadas mais frequentes em adultos [13].

Quando procurar um médico

Procure um médico quando a desatenção, a desorganização ou a impulsividade estiverem atrapalhando o trabalho, os estudos, as finanças ou as relações, e quando você perceber que isso acontece desde a infância.

  • Você já tentou se organizar de várias formas e não consegue manter.
  • Amigos, família ou colegas comentam sobre esquecimentos e distrações com frequência.
  • Ansiedade ou desânimo apareceram por causa das dificuldades do dia a dia.
  • Você já tem diagnóstico e quer rever o acompanhamento.

A consulta por vídeo é uma forma regulamentada de atendimento no Brasil: a telessaúde é autorizada por lei federal desde 2022 [7] e a telemedicina é definida e regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina [8]. Na primeira conversa, o médico ouve sua história, avalia os sintomas e orienta os próximos passos, que podem incluir uma avaliação complementar com especialista.

A Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA) reúne informações e dicas para adultos com TDAH e suas famílias [5].

Referências

  1. Song P. et al. The prevalence of adult attention-deficit hyperactivity disorder: a global systematic review and meta-analysis. Journal of Global Health, 2021.
  2. Kessler R.C. et al. The World Health Organization Adult ADHD Self-Report Scale (ASRS): a short screening scale for use in the general population. Psychological Medicine, 2005.
  3. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR). 2022.
  4. NICE. Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management (NG87). National Institute for Health and Care Excellence, 2018.
  5. Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA)
  6. Organização Mundial da Saúde. CID-11: Classificação Internacional de Doenças, código 6A05 (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade)
  7. Lei nº 14.510, de 27 de dezembro de 2022 (telessaúde). Presidência da República, 2022.
  8. Resolução CFM nº 2.314/2022 (telemedicina). Conselho Federal de Medicina, 2022.
  9. IBGE. Censo Demográfico 2022: população residente por sexo e idade (tabela 9514). SIDRA, 2023.
  10. Faraone S.V. et al. The World Federation of ADHD International Consensus Statement: 208 evidence-based conclusions about the disorder. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 2021.
  11. Faraone S.V., Larsson H. Genetics of attention deficit hyperactivity disorder. Molecular Psychiatry, 2019.
  12. Young S. et al. Females with ADHD: an expert consensus statement taking a lifespan approach providing guidance for the identification and treatment of attention-deficit/hyperactivity disorder in girls and women. BMC Psychiatry, 2020.
  13. Katzman M.A. et al. Adult ADHD and comorbid disorders: clinical implications of a dimensional approach. BMC Psychiatry, 2017.
  14. Cortese S. et al. Comparative efficacy and tolerability of medications for attention-deficit hyperactivity disorder in children, adolescents, and adults: a systematic review and network meta-analysis. The Lancet Psychiatry, 2018.
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